GRUPO: Amanda Cristina, Barbara Oliveira, Érica Oliveira,
Joyce Santos.
TURMA: NF VIIC
DISCIPLINA: Organização Social e Técnica do Trabalho Capitalista - OSTTC
PROFESSORA: Nágela Brandão
Quinta-feira,
19 de março de
2015
01/03 às 09h21 - Atualizada em 01/03 às 09h22
Mercado de
trabalho pode sofrer grandes perdas em 2015
Comentário da
Notícia:
A
notícia selecionada acima aborda a questão do elevado índice de desemprego no Brasil como
resultado do baixo crescimento econômico deste ano. De modo que a questão do
emprego é, hoje, a principal preocupação do movimento sindical e,
principalmente, da família, a que mais sofre com a falta de trabalho e queda da
renda, agravando todos os problemas sociais. Sendo assim, a reforma sindical e
trabalhista tem que ter como prioridade a procura de caminhos para impor aos
governantes a execução de programas de desenvolvimento que resultem em geração
de empregos. No entanto, a notícia aponta justamente o contrário e demonstra
que as medidas adotadas pelo Governo Federal no inicio deste ano, deverão gerar
consequências negativas no mercado de trabalho, pois para os especialistas
entrevistados tais medidas foram apenas cortes e não medidas de expansão e
crescimento.
Para
compreendermos com mais clareza o que esta notícia representa para nós hoje,
faz-se necessário dialogar com Albornoz (2002), que em seu livro “O que é
trabalho” apresenta-nos uma visão geral, simples e acessível a respeito do
trabalho. A autora traz uma reflexão sobre os efeitos do trabalho nas
sociedades industriais, e nos conduz a percebemos as diferenças entre o
trabalho, o labor e a própria ideia de possuir um emprego. Um dado para
pensarmos que dentro dos espaços de trabalho essas palavras acabaram se
tornando sinônimos. O trabalho é uma atividade social, necessária ao progresso material
e moral da humanidade. O trabalho é tão antigo quanto à humanidade. Pode-se imaginar
que, a partir do momento em que o homem tenha tomado consciência de sua individualidade,
tenha também tomado consciência do trabalho como atividade indispensável para
sua sobrevivência e seu progresso. O trabalho é uma atividade inerente à
condição humana e sempre existiu, independentemente do modo de produção vigente.
O
emprego, por sua vez, é uma consequência específica do capitalismo. Ele é o elo
de ligação formal entre o trabalhador e o modo de produção capitalista e não com uma organização
especifica, porque o trabalhador é livre
para escolher a organização por intermédio da qual sua ligação se
efetivará. Nesse sentido, a autora afirma que;
“O capitalismo monopolista da segunda metade do
século vinte invadiu as regiões aparentemente marginais do Terceiro Mundo. O
colonialismo cedeu lugar a um imperialismo econômico indisfarçável. Vivemos a
época das organizações multinacionais. Cada vez mais grandes massas de contemporâneo
passam a depender de organizações e grandes empresas para o seu trabalho. Cada vez mais deixamos o
trabalho autônomo por um emprego na organização, ou mesmo pelo desemprego ante
a organização”. (ALBORNOZ, 2002, p. 25-26)
Estamos em um momento da história do trabalho onde dependemos das
grandes empresas e organizações para nosso trabalho, cada vez mais deixamos
para trás o trabalho autônomo. Com o trabalho Industrial as massas vieram para
a cidade, onde há a promessa de um trabalho menos arriscado e dependente da
natureza. Hoje a técnica não mais importa, o homem é alienado a maquina, cada
pessoa faz um minúsculo trabalho com o mínimo de intervenção criativa, ele só
tem que ser subordinado. Assim se separa o trabalho do lazer, do prazer e da
cultura, devendo estas serem buscadas fora do expediente. Dessa forma, a autora
constata que uma das principais características do trabalho atualmente é a sua
subordinação ao capital, sendo usado como instrumento de subordinação política.
Ao discorrer ainda sobre o que seria emprego, Albornoz citando Singer mostra
que,
“Hoje, na prática, emprego não se entende, em
primeiro lugar, como uma atividade peculiar, no sentido técnico de trabalho ou
produção, mas sim como recurso de acesso, mesmo que parcial e defeituoso, a uma
parte da renda, e consequentemente, ao consumo. As pessoas trabalham antes para
poder consumir do que propriamente para produzir alguma coisa.” (ALBORNOZ apud SINGER, 2002, p.81)
Sendo
assim, podemos perceber que o alto índice de desemprego gera consequências
negativas, pois proporciona a queda da renda e automaticamente aumenta ainda
mais os problemas sociais. Albornoz (2002, p.82) traz em outro momento do livro uma reflexão
acerca do desemprego e alega que “ante o problema do desemprego, a sociedade
reage de modo variado, conforme o diagnóstico que se faz das causas do
desemprego”. Ou seja, estar desempregado de acordo com a autora precede vários
fatores, como o individuo não desejar trabalhar, por isso fica desempregado, ou
quando se percebe que os desempregados são invonlutários, pois estão sem
emprego simplesmente porque quem poderia dar emprego não o fazem. Ou ainda,
devido ao próprio modo de produção capitalista. Além disso, a autora discorre
sobre a importância de se tentar dar assistência aos desempregados, através do
seguro desempregado, que na época nem existia, pois o mesmo é uma compensação e
uma garantia conquistada pelos trabalhadores, uma realidade hoje para nós
brasileiros, porém, que vem sendo analisada por outro ângulo, conforme a
notícia acima nos mostra. Entretanto, Albornoz (2002) salienta que instituir o
seguro desemprego não resolveria todos os problemas, apenas permitiria que
independente dos “azares da economia de mercado que ameaçam a todo instante as
pessoas de ficarem provisória ou permanentemente à margem do sistema de
trabalho, não poderíamos considerar menos que um direito, e mínimo, este de uma
renda emergencial”.
Portanto, fica bastante claro, a relevância que hoje se faz perante os direitos
conquistados pelos trabalhadores e que ao fazer cortes nesses direitos, o que
está acontecendo é justamente, um retrocesso e, além disso, premiar as pessoas
com o desemprego pelo simples fato do baixo crescimento econômico é no mínimo
preocupante, pois como vimos estamos colhendo os frutos do modelo econômico
vigente que ainda procura somente os seus próprios interesses.
REFERÊNCIA
BIBLIOGRÁFICA:
ALBORNOZ,
Suzana. O que é trabalho. São Paulo:
Brasiliense, 2002. - (Coleção primeiros passos; 171.)